Sites Grátis no Comunidades.net
Translate this Page



Logo/Música no Tempo

Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval
Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval
Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval

A Lenda das Amendoeiras em Flor

https://arteemtodaaparte.wordpress.com

/tag/pintura-medieval/

 Música medieval

Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval

http://www.spectrumgothic.com.br

/gothic/gotico_historico/obscurantismo.htm

Instrumentos medieval

http://www.musicadeboda.es/indexpo_

archivos/medieval-musica-2.jpg

Bejís Medieval: El traje de los músicos en el S.XII

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Cantochão
Cantochão

 

 

 

Introdução

Com a queda do Império Romano e a implantação do cristianismo, a igreja passa a ter um papel fundamental para o desenvolvimento e evolução da música, pois são os monges que, nos mosteiros e depois dos gregos, continuam a desenvolver a escrita e a teoria musical. São os cânticos litúrgicos vocais e de transmissão oral que fazem parte do repertório mais usado na musica da Idade Média. Estes cantos litúrgicos variavam nas suas interpretações consoantes o povo, a cultura, os ritos (Rito bizantino- Ásia Menor, Rito gelasiano- Alemanha, Rito moçárabe- Espanha) e os hábitos musicais dos diversos povos. Sentindo necessidade de unificar e de fortalecer o cristianismo, São Gregório Magno, monge beneditino e eleito papa em 590, compilou e selecionou uma série de cânticos litúrgicos com qualidade e dignos de culto. Aqui Foi neste sentido que reuniu alguns cânticos já existentes e outros de sua própria autoria numa colectânea que intitulou de Antifonário. A esta forma de cantar deu-se o nome de Canto Gregoriano, que era basicamente uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus.

Este canto tinha uma melodia simples que seguia o ritmo das palavras.  Nesta época começa a haver uma grande separação entre a música religiosa e a música popular. Uma das grandes diferenças entre elas está nos instrumentos que são usados em ambas. Na igreja apenas o órgão era permitido, enquanto que na música não religiosa ou chamada profana usavam-se: a rabeca, o saltério, o alaúde, a charamela, a flauta, a gaita de foles, a sanfona, a harpa, os pratos, os pandeiros, os tambores,... A língua usada nos cantos da igreja era o Latim, enquanto que na música popular eram os dialetos próprios de cada região. Cantochão é a denominação aplicada à prática monofônica de canto utilizada nas liturgias cristãs, originalmente e desacompanhadas. Formadas principalmente por intervalos próximos como segundas e terças, melodias do cantochão se desenvolvem suavemente, sendo o ritmo baseado na prosódia dos textos em latim. O cantochão é o principal fundamento da chamada música ocidental, sobre o qual toda a teoria posterior se desenvolve, ao contrário de outras artes que apontam para a época clássica da civilização Greco romana, ou até mesmo fontes anteriores. O cantochão é também a música mais antiga ainda utilizada, sendo cantada não só em Mosteiros como também por coros leigos no mundo todo.

 

Terminologia.

Surgiu por volta do século XIII para diferenciá-lo das práticas de canto com ritmo mensurável. Certa imprecisão terminológica, porém, ainda conceitua cantochão como sinônimo de Canto Gregoriano Isso se dá em grande parte pelo fato de que o repertório gregoriano, quando restaurado pelo mosteiro de Solesmes, foi à prática de cantochão tomada como padrão na Igreja Católica a partir do início do século XX, como se verá a seguir.  Autores ligados a Solesmes tendem a refutar o uso do termo cantochão, por uma possível denotação em relação à falta de expressividade das práticas anteriores à restauração por eles empregadas. Recortes históricos definidos trazem um emprego terminológico mais seguro. Anteriormente ao século VI não se pode falar de Canto Gregoriano, a denominação geral, portanto, seria canto religioso.  Denominações específicas se aplicam aos outros repertórios em uso antes de Gregório Magno, como Canto Ambrosiano, Canto Moçárabe ou Canto Galicano.

Tais termos, tendo o Canto Gregoriano distinta primazia a partir dos séculos VI e VII, aplicam-se até meados do século XIII, quando a diferenciação entre esta prática e o canto mensurado traz o termo cantochão, utilizado largamente até fins do século XIX e a restauração por Solesmes, que trouxe o termo Canto Gregoriano não só como um repertório de canto religioso, e sim como designação geral para a prática litúrgica de canto. Surgido nos núcleos da Igreja em Constantinopla, Roma, Antioquia e Jerusalém, o cantochão diversifica-se em diversos ritos como o Ambrosiano, o Gregoriano, o Galicano, o Romano Antigo e o Rito-Moçárabe. Apesar de se creditar a unificação dos Ritos a São Gregório Magno, só na época carolíngia esta aconteceu, com o canto romano utilizado no império carolíngio suplantando algumas outras formas e denominado então de Canto Gregoriano.  O Canto Ambrosiano é cantado atualmente nos arredores de Milão, e talvez ainda se cante o canto Moçárabe em Toledo.

 Da Homofonia a polifonia

 

A trajetória da homofonia à polifonia na história da música ocidental inicia-se por volta do ano 600 de nossa era. Por essa época, a Igreja Católica tornou-se a principal potência política do Ocidente e, durante o papado de Gregório, o Grande, procura-se, sob a sua liderança, unificar o canto da Igreja sobre o modelo romano, tendo-se em vista a hegemonia católica de todo o território europeu. Esse ideal hegemônico perpassa os dois séculos seguintes, desembocando na tentativa de unificação da liturgia por parte de Carlos Magno. Dois séculos depois do papa Gregório, Carlos Magno interessou-se pela unificação da liturgia, com um duplo fim político: disciplinar o papado, sempre poderoso, e fortificar a unidade de seu império. Impõe-se aos seus Estados um repertório de cantos de Igreja que julga ser o verdadeiro canto prescrito por Gregório. Esse repertório de cantos foi conhecido pela denominação de “canto gregoriano”, melodias unitárias e homofônicas que, sob o domínio do poder eclesiástico, procuram expressar o poder político-religioso da Igreja Católica (que durante séculos foi o único foco de criação musical).

Muito significativamente, e apesar desse pretenso controle sobre a produção musical da época, o canto gregoriano não serve apenas aos propósitos da Igreja, deixando transparecer também o conflito entre corpo e alma que escapa à tentativa de absolutização, por parte do clero, do sentido estético-musical desse modelo composicional. Essa divisão entre corpo e alma será, séculos mais tarde, uma das principais preocupações do filósofo francês René Descartes que, através de princípios matemáticos, lança as bases do racionalismo científico que modernizou outra visão. Retomando a trajetória do desenvolvimento da música polifônica, durante o século X poucas são as alterações sofridas pelo canto gregoriano, introduzindo-se apenas diálogos entre as melodias, não se alterando, portanto, a estrutura básica homofônica deste modelo musical.

No século seguinte percebe-se que a melodia se tornará muito mais interessante e apreciável se uma segunda voz ascendesse ao mesmo tempo em que a voz principal descesse, e vice-versa. Posteriormente, no século XII, o canto gregoriano é dilatado, ou seja, coloca-se entre uma nota e outra uma melodia mais dinâmica e de ritmo mais ágil, além de se introduzir uma diferenciação de andamento entre as várias vozes. No século XII, prevalece um tipo de composição em que as melodias diferenciam-se e, portanto, não são mais as mesmas nas várias vozes. Ou seja, portanto os vários segmentos melódicos desenvolvem-se interdependentemente, necessitando-se de uma notação musical mais rigorosa que propiciasse a valoração do tempo de cada nota. Esse tipo de composição, ou moteto, como vieram a ser conhecidos posteriormente, constituem o verdadeiro lançamento da música polifônica que, por sua vez, irá predominar no cenário musical europeu de forma mais efetiva a partir do movimento denominado Ars nova, já no começo do século XIV.

Durante esse século, as regras composicionais da música polifônica são definitivamente estabelecidas, assim como a leis básicas de mensuração temporal da música que irá predominar durante os quatro séculos que se seguirão, culminando no sistema tonal, plenamente estabelecido na passagem do século XVII para o século XVIII (significativamente, este fato coincide com a consumação do método científico contemporâneo, consequência da aplicação empírica, com conotação científica do modelo de metrificação temporal desenvolvido e praticado no âmbito da música ao longo dos séculos anteriores). O século XIV é marcado por profundas crises e transformações em praticamente todos os setores da atividade humana, momento no qual a erudição predomina sobre o pensamento poético e contemplativo, sendo mais empírico do que nos períodos anteriores.

No âmbito da música, os compositores procuram tornar mais complexos os procedimentos composicionais, assim como estabelecer, também, todas as combinações sonoras e rítmicas possíveis. O compositor Philippe de Vitry, um cônego político de idéias artísticas não convencionais, publica um tratado sobre composição musical chamado Ars nova musicae, do qual deriva a denominação da música dessa época; ou seja, a Ars nova propriamente dita. A possibilidade do surgimento dessa nova polifonia e de suas intrincadas tramas melódicas deu-se graças aos progressos da notação musical. Um dos compositores que mais se destacou na utilização das novas regras polifônicas foi o francês Gillaume de Machaut, mestre de teologia e secretário do rei da Boêmia.  Machaut é extremamente cuidadoso na finalização e no acabamento de suas obras, representando o ideal da época que era exatamente o de se ter mais esmero com o que se pretendia criar em termos artísticos. Procura-se, assim, a perenidade da obra de arte e, sobretudo na música, a preocupação maior é que esta seja um monumento artístico durável que sobreviva aos infortúnios do tempo. Uma das principais obras de Gillaume de Machaut é a Messe de Nostre Dame, considerada uma das peças musicais mais representativas do período, cuja estrutura composicional expressa de forma contundente o complexo jogo polifônico das várias melodias e vozes de sua tessitura musical.

 Monodia profana medieval: música dos trovadores

 

Durante a Idade Média, ao lado do canto gregoriano e da música polifônica, floresceu, como expressão musical profana, a canção trovadoresca. A arte dos trovadores foi cultivada a princípio por príncipes, condes marqueses, só mais tarde encontramos ao lado dos nomes ilustres, alguns de origem humilde, saído da burguesia. Há controvérsia quanto à origem do movimento trovadoresco sob os pontos de vista clássico, que defendia a origem grega romana; eclesiástico, que atribuíam à influência da igreja sobre as formas profanas das músicas e dos textos medievais; arabistas que atribuíam à influência oriental através das cruzadas ou da Península Ibérica; e os folcloristas defendem a inspiração popular.

Entretanto, é sabido que todas essas correntes fornecem apreciáveis argumentos e provas de valor, sugerindo-nos que tenha sido um conjunto dessas influências que tenha propiciado o surgimento deste movimento. O movimento musical dessa época (sec. IX ao XI), iniciou-se com os bardos da alta Idade Média. Foi o período em que floresceram as canções de gesta que exaltavam as proezas dos tempos heróicos e vieram a constituir mais tarde os grandes poemas épicos, como a célebre canção de Rolando, que tanta influencia exerceu sobre a epopeia Medieval. Pouco depois, apareceram no sul da França os primeiros exemplos da poesia lírica inteiramente cantada em língua vulgar e desenvolveu-se a arte dos trovadores. Foram estes que promoveram, especialmente na alta aristocracia, um movimento artístico a princípio ainda ligado à igreja, mas que logo dela se separou. Os hinos sacros começaram a ser substituídos pelo canto heróico e, o culto a Maria, pelo amor cortês. O primeiro trovador conhecido foi Guilherme IX de Poitiers, duque de Aquitânia, e um dos mais célebres foi Ricardo Coração de Leão. Foi com os trovadores que se iniciou a história documentada da música profana medieval O movimento trovadoresco, iniciado na França, alastrou-se pela Europa através dos guerreiros que partiam para as cruzadas, dos trovadores e jograis que visitavam cortes estrangeiras.

 O movimento

Paralelamente ao canto homófono da igreja existiu uma canção homófona profana, originada do canto gregoriano, do qual apropriou os modos. Os poetas, quase sempre músicos, completavam as pequenas formas líricas em que vazavam o seu estro, com singelas melodias que garantiam beleza de todo e tinham origem no canto gregoriano e em certas tradições orais profanas, de cunho parcialmente popular. Os cantos dos trovadores eram escritos em notas quadradas como as que até hoje são usadas no canto gregoriano. O ritmo dependia do verso, havendo seis tipos, chamados de modos Geralmente nobres, compunham eles mesmos a poesia e a música das suas canções, que eram interpretadas em público aos menestréis, servos que peregrinavam de castelo em castelo, levando seus instrumentos: alaúde viola e harpa. Eram figuras imprescindíveis nas festas de aldeia e dos castelos. Como no canto gregoriano, a canção popular também se transmitia oralmente. 

O texto das canções era tirado das Sagradas Escrituras; a melodia, em geral, não tinha relação com o texto. Uma mesma melodia servia para diversas letras, tomando os nomes mais disparatados. Os instrumentos usados pelos trovadores foram numerosos e variados. Entre os de corda, predominavam a harpa, o alaúde a cítara, a teorba e o bandolim. O mais comum era a vilela, espécie e viola de cinco cordas. Outros foram os saltérios, o organistro, diferentes flautas trompa, trombone, corneta etc.