Sites Grátis no Comunidades.net
Translate this Page



Logo/Música no Tempo

Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval
Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval
Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval

A Lenda das Amendoeiras em Flor

https://arteemtodaaparte.wordpress.com

/tag/pintura-medieval/

 Música medieval

Guillaume de Machaut – O Maior Compositor Medieval

http://www.spectrumgothic.com.br

/gothic/gotico_historico/obscurantismo.htm

Instrumentos medieval

http://www.musicadeboda.es/indexpo_

archivos/medieval-musica-2.jpg

Bejís Medieval: El traje de los músicos en el S.XII

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O Romantismo na música (1810-1910)
O Romantismo na música (1810-1910)

 

 

Romantismo

Introdução

 

A Revolução Francesa causou profundas transformações, não apenas políticas, mas abalou todas as estruturas do pensamento espraiando sua influência no campo das artes, da cultura e da filosofia, sob a forma de um surto de liberalismo que se traduzia na defesa dos Direitos do Homem, da democracia e da liberdade de expressão. Alterando a mentalidade europeia e modificando os seus critérios de valor. Assim a música e a arte de modo geral procuravam se desligar da arte do passado deixando aos poucos os salões dos palácios e pondo-se mais ao alcance da nova classe social em ascensão, a burguesia, e invadindo as salas de concerto, conquistando um novo público ávido de uma nova estética. O movimento romântico constitui uma reação contra o racionalismo e o classicismo, opondo à universalidade dos clássicos o individualismo e o subjetivismo. Enquanto no Classicismo havia uma grande preocupação pelo equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, no romantismo os compositores buscavam uma maior liberdade da forma e uma expressão mais intensa e vigorosa das emoções, frequentemente revelando seus sentimentos mais profundos, inclusive seus sofrimentos.

Além da forte expressividade outra característica marcante no período musical romântico é a chamada música programática ou música descritiva. Não que em outros momentos da história da música não houvesse esse tipo de produção, mas no período romântico, essa é uma tendência bastante acentuada. Neste aspecto, muits vezes, o romantismo literário se confunde com o musical.  Muitos compositores românticos eram ávidos leitores e tinham grande interesse pelas outras artes, relacionando-se estreitamente com escritores e pintores. Não raro uma composição romântica tinha como fonte de inspiração um quadro visto ou um livro lido pelo compositor. Mas aqui mais uma vez a necessidade de expressar, a música, aliás, tem no romantismo a função essencial de expressar, e a alma é o objeto que se deve primordialmente retratar. Muitas das composições pintam quadros, contam histórias; o individualismo romântico incitará frequentemente o músico a “pintar” suas próprias experiências. Entretanto, apesar do individualismo, da subjetividade e do desejo de expressar emoções, o músico romântico ainda respeita a forma e muitas das regras de composição herdadas do classismo.

O Romantismo surge sobre bases tonais sólidas, o período romântico é o derradeiro momento da música tonal. Entre os traços comuns aos compositores do período podemos ressaltar a maior liberdade de modulação e o cromatismo cada vez mais progressivo que levou os músicos até a fronteira do sistema tonal de Bach.

E é esse cromatismo que vai garantir uma maior liberdade e expressividade a essa música individualista” e “subjetiva”. As formas livres, lieds, prelúdios, rapsódias, o sinfonismo, o virtuosismo instrumental e os movimentos nacionais incorporam elementos alheios à tonalidade estrita do classicismo e esta lentamente se desfaz, até chegar à beira da atonalidade com a música de Wagner (1813-1883). Outro aspecto de destaque do período romântico está na própria concepção de artista da época.  A concepção do homem genial incita a buscar na biografia do artista os sinais de um destino excepcional. Os reveses da vida tendem a satisfazer a sanha do público, pois o artista genial é o eterno sofredor, em volta do mito estão à pobreza, a humilhação, as desventuras amorosas (Beethoven), a incompreensão dos contemporâneos, a doença (Beethoven) ou a loucura (Berlioz e Schumann) contribuem para a admiração sobre o caráter singular do artista. Na verdade os artistas românticos eram eles mesmos bastante atentos à publicidade da sua imagem. Ou como diria Flaubert “O artista deve dar um jeito para fazer a posteridade acreditar que ele não viveu”.

O músico romântico procurou se firmar como um artista autônomo, deixando de se submeter a patronos ricos, como ocorria no período barroco e clássico. Isso evidentemente garantia uma maior liberdade de criação aos músicos Durante o Romantismo houve um rico florescimento da canção, principalmente do lied (‘canção’ em alemão) para piano e canto. O primeiro grande compositor de lieder (plural de lied) foi Schubert (1797-1828). Essa forma é também desenvolvida mais tarde por Robert Schumann (1810-1856) e mais posteriormente por Johannes Brahms (1833-1897). Inicialmente os textos são retirados da poesia romântica alemã de Goethe (1749-1832) e Heine (1799-1856).

Também são características da época as formas livres como os prelúdios, rapsódias, noturnos, estudos, improvisos etc., presentes na obra de Frederic Chopin (1810-1849) e Franz Liszt. Essas peças são geralmente para piano solo e realçam o virtuosismo instrumental, dividindo a importância do concerto entre a obra e a presença do intérprete.

A ópera

As óperas mais famosas hoje em dia são as românticas. Os grandes compositores de óperas do Romantismo foram os italianos Verdi e Rossini e na Alemanha, Wagner. No Brasil, destaca-se Antônio Carlos Gomes com suas óperas O Guarani, Fosca, O Escravo, etc.  A orquestra cresceu não só em tamanho, mas como em abrangência. A seção dos metais ganhou maior importância. Na seção das madeiras adicionou-se o flautim, o clarone, o corne inglês e o contrafagote. Os instrumentos de percussão ficaram mais variados. O concerto romântico usava grandes orquestras; e os compositores, agora sob o desafio da habilidade técnica dos virtuosos, tornavam a parte do solo cada vez mais difícil. Compreende obras para grandes orquestras e privilegia o virtuosismo. Destaca-se a obra de Johannes Brahms, com suas quatro sinfonias, dos franceses César Franc (1822-1890) e Hector Berlioz (1803-1869), que revoluciona a concepção da orquestra clássica ao acrescentar mais instrumentos em sua Sinfonia fantástica, op.14, de 1830, reformulando os modos de instrumentação vigentes em sua época. Outro aspecto de destaque no período romântico é o nacionalismo. A música do final do século XIX, embora imbuída do individualismo, reflete as preocupações coletivas relacionadas aos movimentos de unificação que marcam a Europa. Até a metade do século XIX, toda a música fora dominada pelas influências alemãs.

Foi quando compositores de outros países, principalmente os russos, passaram a ter a necessidade de criar a sua música, enaltecendo as suas raízes e a sua pátria. Inspirava-se em ritmos, danças, canções, lendas e harmonias folclóricas de seus países. É o chamado Nacionalismo Musical. Músicos como Bedrich Smetana (1824-1884) e Antonin Dvorák (1841-1904), Edvard Grieg (1843-1907), Modest Musorgsky (1839-1881) e Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) empregaram com freqüência temas nacionalistas em suas óperas, enquanto suas obras sinfônicas adquiriam intensidade e identidade própria ao combinar coloridos nacionalistas com os procedimentos estruturais estabelecidos pela corrente principal alemã.

A imagem que temos hoje da chamada música erudita é notadamente romântica. Não é à toa, portanto, que nas salas de concerto, o piano seja visto como instrumento de destaque, ao lado do violino, que também ganhou fama como instrumento solo e orquestral. No século XIX o piano passou por diversos melhoramentos. Quase todos os compositores românticos escreveram para este instrumento, os mais importantes foram: Schubert, Mendelssohn, Chopin, Schumann, Liszt e Brahms. Embora em meio às obras destes compositores se encontrem sonatas, a preferência era para peças curtas e de forma mais livre. Havia uma grande variedade, entre elas, as danças como as valsas, as polonaises e as mazurcas, peças breves como o romance, a canção sem palavras, o prelúdio, o noturno, a balada e o improviso.

Outro tipo de composição foi o étude (Estudo), cujo objetivo era o aprimoramento técnico do instrumentista (aqui se destaca mais uma vez os “estudos para piano”). Com efeito, durante esta época houve um grande avanço nesse sentido, favorecendo a figura do virtuose: músico de concerto, dotado de uma extraordinária técnica. Virtuoses como o violinista Paganini e o pianista Liszt eram admirados por platéias assombradas.  O século XIX apresenta um novo público formado pela classe social burguesa que se interessa pela arte intimista: obras para solista, música de câmara e representações vocais, com acompanhamento instrumental, e a poesia de diferentes países. O canto acompanhado quer com cravo, piano ou guitarra, possuem as qualidades específicas nacionais, as que encontramos no lied alemão, na melodie francesa ou na canção espanhola ou inglesa.

Ainda que antigo na forma, e talvez até por isso, é imediata a identificação do público graças aos temas que essas canções “românticas”, evocam, tão próximas aos anseios do homem burguês. Como foi definido por Heinrich Heine, o lied é o “coração que canta o peito que se agita”. A canção é a expressão musical de um “estado de espírito”, impõe a primazia da paixão e dos sentimentos sobre a razão, junto à ideia de liberdade e exaltação da natureza.  Entre os lieder mais famosos estão evidentemente os de Schubert, a exemplo de “Nacht und Träume”, considerado um dos mais belos do autor. Schubert fez cerca de seiscentos e cinqüenta leader, nas formas mais diversas, desde a simples canção estrófica até a cena dramática ou a cantata. No que se referem à música coral, as mais importantes realizações dos compositores românticos estão na forma do oratório e do réquiem (missa fúnebre).

 Dentre os mais belos oratórios se incluem o “Elias”, de Mendelssohn (1809-1847), composto nos moldes de Haendel; “L´Enfance du Christ” (A infância de Cristo) de Berlioz (1803-1869); e “The Dream of Gerontius” (O sonho de Gerôncio) de Elgar (1857-1934), que em vez de se basear em algum texto bíblico, constitui o arranjo de um poema religioso. Certas Missas de Réquiem são importantísssimas e algumas mais apropriadas para serem apresentadas em casas de concerto do que em uma igreja. O réquiem de Berlioz, por exemplo, exige uma imensa orquestra com oito pares de tímpanos e quatro grupos extras de metais, posicionadosnos quatro cantos do coro e da orquestra. O Réquiem de Verdi embora de estilo dramático, é sincero em seu sentimento religioso. Em nítido contrastre com estas obras de caráter grandiloquente está o calmo e sereno réquiem do compositor francês Gabriel Fauré (1845-1924). Não podemos deixar de citar o réquiem de Brahms, considerado por alguns como a mais bela obra coral do romantismo, composto por ocasião da morte de sua mãe. Para essa obra, em vez de musicar o usual texto latino, Brahms (1833-1897) selecionou passagens significativas da Bíblia. No que se refere ao canto não se pode falar sobre romantismo sem citar a importância da ópera, é na verdade nessa forma musical ampla e complexa, que une o canto e a interpretação, musica e teatro que está o verdadeiro destaque da musical vocal no período.

Surge uma nova ópera italiana em que às artes do bel canto somam-se um forte elemento histriônico: os cantores também têm que emocionar ou divertir o público com artes de ator. O enredo acaba crescendo em importância. A grande ária ainda é o ingrediente essencial, mas como centro da cena dramática. Essa nova importância do elemento teatral é a contrribuição italiana à ópera romântica. Destacam-se autores como Rossini (1792-1868), Bellini (1801-1835) e Donizette (1797-1848). Outras mudanças significativas: os adornos não podem ficar à decisão do intérprete que tende a abusar deles (o que era comum no barroco); todos devem figurar na partitura porque o brilhantismo das vozes não será desde essa altura o único interesse das representações; a missão da orquestra vai além de simples acompanhamento das vozes, tendo um papel bastante relevante.

A primeira reação à música lírica italiana partiu de Weber (1786-1826) que deu características germânicas a opera inspirando-se na época medieval e na mitologia alemã. A forma vocal oscila entre o canto propriamente dito e o Singspiel, alternando o diálogo falado com árias.

 Entretanto é inovador por introduzir na ópera a essência musical popular alemã. Seu herdeiro seria Richard Wagner (1813-1883), que em busca de uma “obra de arte integral”, criou o Drama Musical. Este reunia a pintura, a poesia e a arquitetura, além da música. Mas, não contente com o drama isolado Wagner compôs uma tetralogia (conjunto de quatro dramas).  As suas experiências no canto tonal deram a obra wagneriana tal originalidade que criou para os demais compositores românticos um dilema, ou uniam-se a Wagner ou lutavam contra ele. A estrutura do cromatismo wagneriano e a figura do leit motiv levavam a música para a beira da atonalidade, era na realidade um caminho difícil de ser seguido, um caminho sem volta.

A renovação na ópera completou-se com a ideia wagneriana de estrutura continua da ação, de maneira que o conjunto não seja dividido apenas por uma sucessão de árias, interlúdios, coros, duos, etc., que surgem como consequência da ação dramática, mas que não devem partir a obra em seções prejudicando a ideia geral de unidade.  Wagner é quem leva a termo essa ideia que será acolhida não só pelos compositores de língua alemã, mas também pelo italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), um dos maiores autores de óperas do período romântico, que criou as célebres “Nabuco”, “Aida”. “Rigolleto” e tantas outras que saíram da pena do prolixo e popular compositor, que celebizou-se em pouco tempo estendendo a sua influência a românticos de todo o mundo, incluindo Carlos Gomes (1836-1896)

Na França aporta a estrutura da grande ópera que já havia estado presente na tradição espetacular da ópera-ballet de Lully. A mesma variedade musical do lied romântico manifesta-se também na ópera, na complexidade dos arranjos orquestrais e na dificuldade do traçado das linhas melódicas. Destacam-se as óperas de Meyerbeer (1791-1901) e a leveza da opereta cômica de Offenbach (1919-1880) mais próxima do music hall.

 

Características do Romantismo

 

 

Individualismo:

 

Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.

Subjetivismo:

O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelada, dada por um individuo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam. Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra.

Idealização:

Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é vista como uma virgem frágil, o índio é visto como herói nacional e a noção de pátria também são idealizados.

Sentimentalismo exacerbado:

Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns à saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida.

O romântico analisa e expressa à realidade por meio dos sentimentos. E acredita que só sentimentalmente se consegue traduzir aquilo que ocorre no interior do indivíduo relatado. Emoção acima de tudo.

Egocentrismo:

Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.

 

Natureza interagindo com o eu lírico:

A natureza, no Romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, às tempestades, ou dias de muito sol. Diferentemente do Arcadismo, por exemplo, que a natureza é mera paisagem. No Romantismo, a natureza interage com o eu-lírico. A natureza funciona quase como a expressão mais pura do estado de espírito do poeta.

Grotesco e sublime:

Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa à idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de A Bela e a Fera, no qual uma jovem idealizada se apaixona por uma criatura horrenda.

 Medievalismo:

Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas se passam em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas.

Indianismo:

É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade européia.

Byronismo:

Inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo, podendo estar representado no personagem ou na própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angústia

 

Era Romântica

 

A Era Romântica é um período da história da música que se convenciona classificar entre o ano de 1815 até o início do século XX. Designa ainda qualquer música escrita durante esse período ou posterior (neorromantismo), que se enquadre na estética do período romântico. Foi precedido pelo classicismo e sucedido pelas tendências modernistas. A época do romantismo musical coincide com o romantismo na Literatura, Filosofia e Artes Plásticas. A idéia geral do romantismo é que a verdade não poderia ser deduzida a partir de axiomas.

 Certas realidades só poderiam ser captadas através da emoção, do sentimento e da intuição. Por essa razão, a música romântica é caracterizada pela maior flexibilidade das formas musicais e procurando focar mais o sentimento transmitido pela música do que propriamente a estética, ao contrário do Classicismo. No entanto, os gêneros musicais clássicos, tais como a sinfonia e o concerto, continuaram sendo escritos.

 

 Estética musical

 

No romantismo, estabeleceram-se vários conceitos de tonalidades para descrever os vocabulários harmônicos herdados do Barroco e do classicismo. Os compositores românticos tentaram juntar as grandes estruturas harmônicas desenvolvidas por Haydn e aperfeiçoadas por Mozart e Beethoven com suas próprias inovações, buscando maior fluidez de movimento, maior contraste, e cobrir as necessidades harmônicas de obras mais extensas.

O cromatismo utilizou uma forma mais frequente e variada, assim como as dissonâncias. A mudança de tom acontecia de maneira mais brusca que no Classicismo, e as modulações ocorriam entre tons cada vez mais distantes. As propriedades dos acordes de sétima diminuta, que permite modular praticamente qualquer tonalidade. Durante o Período Romântico, foram feitas analogias entre a Música e a Poesia ou a estruturas narrativas.  Ao mesmo tempo, criou-se uma base mais sistemática para a composição e interpretação da música de concerto. Houve também um crescente interesse nas melodias e temas, assim como na composição de canções. Não esquecendo o grande desenvolvimento da orquestra sinfônica e do virtuosismo, com obras cada vez mais complexas.

 

O lied romantico

O melhor veículo para expressar os sentimentos românticos foi o lied, que apareceu no século XVI e que, no século XIX, recebeu novo impulso graças a poetas como Goethe e Schiller. Características do lied romântico Lied é uma palavra alemã cujo plural é lieder e que significa “canção”. Porém, como forma musical, tem uma acepção mais concreta: é uma canção para voz solista com acompanhamento de piano, cuja música é composta baseando-se em um poema.

Dessa maneira, consegue-se a íntima união entre o texto e a música Predominam dois tipos formais principais: o lied estrófico, em que cada estrofe do texto tem a mesma melodia, e o livre, em que a música se adapta à expressão e aos sentimentos presentes em cada parte do texto. Este último foi o tipo habitual no século XIX.  O compositor austríaco Schubert consagrou esse gênero. Outros compositores que também cultivaram o lied foram Schumann, Brahms e Hugo Wolf.

 

Franz Schubert

Franz Schubert (1797-1828) foi o verdadeiro criador do lied romântico. Sua obra esteve marcada pelos movimentos literários românticos, o lirismo e a exaltação do folclore alemão. Pôs música em textos dos poetas Schiller e Goethe, entre outros.  Seus temas prediletos eram o amor, a morte e a natureza. Compôs mais de seiscentos lieder, que estão entre o melhor da produção romântica, nos quais consegue uma integração completa com o texto Estão agrupados em coleções, como Die schöne Mülerin (1823), com vinte canções, e Die Winterreise (1827), com 24 canções. Sua obra póstuma foi Schwanengesang (1828), escrita no ano de sua morte e que contém 14 lieder.

 

Robert Schumann

Robert Schumann (1810-1856), que teve ampla formação literária, afastou-se da temática popular e aproximou-se da poesia culta, alemã e mundial. Seus poetas preferidos foram Hoffmann (1776-1822), Goethe, Byron, Schiller e, acima de todos, Heinrich Heine (1797-1856). Seus acompanhamentos pianísticos sublinham enfaticamente o texto dos lieder.  O lied de Schumann diferencia-se do de Schubert na maneira de tratar a melodia, no acompanhamento e em sua preocupação pelo sentimento. A forma é livre, adaptando-se à poesia de cada estrofe, e sua grande inovação apoia-se no acompanhamento pianístico, que em muitas ocasiões é protagonista, ou comenta psicologicamente o texto. Compôs 250 lieder.  Sobre textos de Heine está construído seu ciclo Amor de poeta (1840), com melodias ternas e líricas, às quais o acompanhamento do piano imprime um caráter irônico. Seu outro grande ciclo, Amor e vida de uma mulher (1840), foi realizado sobre oito poemas do poeta alemão Adelbert von Chamisso (1781-1838).

 

Johannes Brahms

Johannes Brahms (1833-1897) compôs mais de trezentos lieder sob influência de Schumann, em seu sentimentalismo, e de Schubert, em seu caráter popular. Sobre textos de Ludwig Tiek (1773-1853), compôs a obra Romances de Magelone (1861-69), que inclui 15 lieder ligados por um argumento comum. Merece destaque sua última obra, Quatro canções sérias (1896).

 

Hugo Wolf

Hugo Wolf (1860-1903) foi o mais importante autor de lieder do final do Romantismo. Sob influência de Wagner, utilizou o princípio da “declamação contínua”, em que o texto é parte mais importante da obra. Sua música foi uma das mais avançadas da época no que se refere à desagregação das tonalidades, e a principal característica de seus lieder é o aspecto dramático. Escreveu mais de trezentos lieder, destacando-se os Lieder sobre Goethe (1890), Lieder espanhóis (1891) e Lieder italianos (1892-1896).

 

Gustav Mahler

No Romantismo tardio, Gustav Mahler (1860-1911) substituiu o acompanhamento do piano pelo da orquestra sinfônica. Entre seus lieder merecem especial menção Des Knaben Wunderhorn (1892-1898), Kindertotenlieder (1904) e A canção da Terra (1909), considerada por muitos sua obra-prima.

A ÓPERA ROMÂNTICA ITALIANA

Na Itália do século XIX, a ópera se impôs como gênero predileto, a ponto de ofuscar as demais formas musicais. A ópera romântica serviu para expressar as ideias de unidade liberdade e patriotismo pelas quais a Itália lutou nesse período.